ROTINA
fevereiro 17, 2007
Acabava de sair do trabalho. Um escritório no centro da cidade. Não sei porque, levava pra casa uma tesoura, grande, e uma faca, uma espécie de estilete, também avantajado.
Mesmo assim, levo essas “peças” na mão, sem me dar ao trabalho de embrulhar, e vou pegar o elevador, e depois minha condução. Tenho uma pequena preocupação, apenas, com o que é que iriam pensar de tal carga.
Entro no elevador, atrás vem um amigo, terno, arrumadinho, pequenos cumprimentos, tudo normal. As tais “peças”, ninguém nem repara.
Descemos dois andares, entra outro passageiro, esbarra, de leve, na ponta da faca. Sofre um arranhão, eu peço desculpas. A ponta da faca chega a ficar torcida. O sujeito não fala nada, apenas puxa um revolver e manda que eu vá prum canto do elevador. Vai me matar, penso eu.
Meu amigo, o do terno, vê a cena, puxa seu revolver (todo certinho, cara de gente calma e correta, andava armado), não pestaneja, nem fala nada, atira no outro, que cai, estrebucha, vejo um ligeiro tremor de sua perna esquerda, agoniza. Eu, simples e tranqüilamente, balbucio:
“Morreu!” Nada mais.
O elevador ainda está parado no pavimento, saio, fico próximo a porta, vejo outro possível passageiro chegando e digo:
“Está quebrado”. O cara vai embora. Enquanto isso o meu amigo, o do terno e do revólver, aquele que atirou, está arrumando o morto.
Vem um novo possível passageiro. Novamente aviso:
“Está quebrado”. Mesmo assim o cara entra no elevador.
Afasto-me mais um pouco, vejo de longe ele conversando com o meu amigo. Aquele do terno. Do revolver. Do tiro. Numa boa.
Credit Card Debt…
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